Apontamentos sobre a história da cidade


Denominações Anteriores
: Nova Palestina.

Fundadores: Valentim Álvares Martins.

Data da fundação: Talvez antes de 1930.

 

A origem de Palestina está quase toda consignada em atas das reuniões, que na época foram feitas por moradores da região, sempre sob a presidência de Valentim Álvarez, considerado fundador da cidade.

Consta, pois, daqueles documentos que a fundação deu-se a 1° de janeiro de 1922, quando, em casa de Egydio Zaccaro, na fazenda Piau, ficou resolvida a constituição de um patrimônio sob a denominação de "São João da Paulistina".

Seguiram-se várias reuniões numa das quais Valentim Alvarez anunciou sua disposição de doar parte de sua propriedade ao patrimônio, reservando um quarteirão para que se construísse a igreja em louvor a S. João Baptista. O patrimônio constituído ficava situado entre as cabeceiras das fazendas: Canoas, Jardim e Piau, onde se formou o pequeno povoado.

Tornou-se distrito de paz pela Lei n° 2236, de 22 de dezembro de 1927, no município de Nova Granada e elevado a município na comarca de S. José do Rio Preto, pela Lei n° 2782, de 23 de dezembro de 1936.

O município de Palestina, instalado no dia 30 de maio de 1937, constitui-se pelo Decreto n° 10.001, de 24 de fevereiro de 1939, com o distrito de paz do mesmo nome, que ficou dividido em 3 zonas, sendo a 1ª Palestina, 2ª Santa Filomena e 3ª Guarda-Mor.

O Decreto-lei n° 14.334, de 30 de novembro de 1944, transformou as zonas em distrito e mudou-lhes os nomes – Santa Filomena passou a denominar-se Boturuna e Guarda-Mor, Jurupeba.

Pela Lei n°233, de 24 de dezembro de 1948 foi incorporado o distrito de paz de Duplo Céu.

__________

  • Origem do nome

Palestina, nome dado por colonos de origem turca ou palestina.

  HISTÓRICO DA FUNDAÇÃO

1 - OS FUNDADORES: VALENTIM ÁLVARES E
TERESA JOAQUINA DE JESUS

VALENTIM ÁLVARES, natural de Salamanca, Espanha, região oeste de Madri, nasceu a 14 de fevereiro de 1 881 ( * 1 881 - + 1 9--), veio para o Brasil aos 14 anos de idade , juntamente com seus familiares, na época áurea da grande imigração de europeus, especialmente italianos e espanhóis que fugiam das grandes dificuldades econômicas européias, dos latifúndios quase feudais de senhores. A maioria dos imigrantes abandonava as regiões rurais, extremamente pobres e vinham com uma alegria amarga por deixar a "Espanha dos senhores" que era também a "sua Espanha". Por isso, uma  alegria amarga atravessava o sofrido coração dos trabalhadores que partiam, enquanto entoavam suas canções de despedida.
Dentre estes estava a Família Álvares. Era do interior pobre da Espanha e pouco ganhavam seus filhos como caldeireiros (tintureiros), trabalho difícil, árduo, pois esta tarefa era exercida a domicílio, chegando mesmo a atravessar fronteira, prestando serviços até em Portugal, que não ficava muito distante de Salamanca. Nestas andanças domiciliares de caldeireiros, a família conheceu muitas histórias da imigração para a América, especialmente para o Brasil. Querendo dar um novo sentido à vida de seus filhos, a Família Álvares resolveu partir a bordo de um grande navio rumo a "Terra Prometida".
Como deve ter sido difícil esta partida! Mas o desejo de vida melhor os empurrava para o embarque. A Família Álvares teve problemas ao tirar passaporte, pois um dos filhos, João, estava em idade de prestar serviço militar e não poderia deixar o país.. Sem passaporte, João teve que usar o passaporte do irmão Valentim, que por sua vez teve de passar entre os guardas sem ser percebido. Após três dias de viagem, já em alto mar, as autoridades constataram a irregularidade, porém era tarde demais e eles puderam continuar a viagem. Depois de um mês em alto mar, com escala em vários pontos do litoral, desembarcaram no Porto de Santos. Parte da Família Álvares, com o tio Pedro, foi para a Argentina. Como todos os imigrantes, Valentim Álvares e seus familiares foram submetidos á Inspetoria de Imigração  em Santos e encaminhados para a hospedaria dos imigrantes em São Paulo. Nesta hospedaria de imigrantes existia uma Agência Oficial de colonização, onde os fazendeiros procuravam por trabalhadores. A história relata que o tratamento dado aos imigrantes era dos piores e a hospedaria era mercado de mão de obra. Mesmo passando por logradouros feios e imundos, como o cais do Porto e a hospedaria, desembarcaram e se hospedaram com seus baús, sacos, trouxas, pacotes, deixando atrás de si o cheiro do suor humano. Contudo, o jovem Valentim trazia sempre um sorriso de enlevo, contente e feliz, batendo forte os pés no chão para se convencer do êxito da empreitada: olhos no céu, gozando a luz, beijando o ar! É o Brasil: terra da promissão, Édem do bem estar e da fartura. Veio para o interior de São Paulo, provavelmente para trabalhar no café.Logo havia percebido que o " Édem" estava muito longe e que o jeito era enfrentar a terra bruta e as condições de trabalho mais duras e pouco acolhedoras.Neste contexto histórico, não podemos ignorar que naquele inicio de século os fazendeiros estavam emergindo de uma sociedade escravista dominada por rígidos patriarcalismo e as relações entre patrões e empregados estavam fortemente permeada pela violência da tradição escravocrata. Por essa razão, muitas das esperanças do imigrante viam-se frustradas. As condições da lavoura paulista levaram a uma grande mobilidade da mão de obra. Além de trocar de fazenda, muitos trabalhadores terminavam por tentar a sorte em pequenas cidades ou lugarejos. O jovem idealista Valentim Álvares, apesar das durezas enfrentadas, estava mais seguro de que pisaria a terra da promissão e, com vontade forte de produzir o necessário, para logo mais erguer um teto para seus familiares. Era disposto e considerado o braço direito de seus pais e irmãos.Nestas andanças chegou ao povoado de Álvora, perto de Olímpia onde trabalhando na lavoura juntou um pouco de dinheiro, comprou uma pequena chácara e depois montou um açougue em Olímpia. Atraído por parentes e patrícios chegou por estas paradas, comprando aqui uma pequena área de terra. Dizem que foi atraído pelas belas matas verdejantes e pelas majestosas árvores de angico. A mata era cerrada, a galharia trançava escondendo os mais belos animais silvestres. Foi um longo e penoso trabalho, árdua tarefa de derrubada. Durante dias e dias o fogo limpou e parte da mata caiu vencida. O lavrador jovem espalhava sobre a terra as primeiras sementes de milho, arroz e café. Desvirginada de pouco, a terra guardou no ventre o embrião de uma cidade que nascia. Sua vida fincaria pé aqui mesmo. Flechado pelo cupido do amor a primeira vista, Valentim Álvares se encantou pela cabocla Tereza. Em companhia de seu patrício André, que também foi um dos colaboradores da fundação, passando lá pelos lados da Fazenda Fortaleza, às margens do Córrego Pinheiros, avistou a bela e formosa Tereza, cuidando monjolo de sua família: avental xadrez, cabelos presos, rosto claro que resplandecia a delicadeza de toda donzela pura e pronta para ser uma esposa ideal. Não mais tirando a bela imagem do seu pensamento, Valentim Álvares pediu ao seu amigo André que o apresentasse aos pais de Teresa. Após algum tempo desta visita, pediu sua mão em casamento. O coração palpitava forte no dia em que foi marcar a data do enlace e ver de perto a sua bela escolhida. Porém neste dia não chegou a ver seus lindos olhos castanhos, pois estando ele na sala, marcando a data do casamento, ela serviu-lhe um café, mas, por sua timidez, o fez cobrindo o rosto com as mãos. Que frustração! Não conseguiu vê-la direito e nem lhe falar. Este era o costume da época. Somente depois do casamento acertado é que a família da noiva recepcionava o rapa, podendo ele ter uma conversa com a noiva, assim mesmo acompanhada. Era impossível um minuto a sós com a noiva, longe do olhar severo dos futuros sogros. O casamento se realizou na antiga cidade de Água Doce, hoje Icem, aos 17 de fevereiro de 1 917, quando então foi realizada bela festa, típica da época com foguetes, vivas, doces e assados.Uma cena quase folclórica se deu na partida dos recém casados: o noivo com a noiva na garupa do seu cavalo, sendo Valentim  o espanhol mais feliz da região. Teresa, toda formosa de véu e grinalda, segurava trêmula na cintura do jovem esposo. Num refugo do animal, Teresa foi ao chão, torcendo o tornozelo. Se as núpcias já eram difíceis para uma esposa recatada, por certo foi mais constrangedor estando a esposa com esta inusitada situação.
Teresa Joaquina de Jesus era filha de Antônio Martins Rodrigues e Joaquina Celestina de Jesus. Ele era um brasileiro de espírito desbravador, um bandeirante moderno, que, com sua esposa, procurava o sertão para conquistar terras para seus filhos. Vieram da região de Franca, onde venderam pequena propriedade de café e, fazendo uma viagem de cerca de trinta dias em carro de bois, trazendo gado e muares, atravessando matas e rios, chegaram e se instalaram na Fazenda Pinheiros, perto do Rio Turvo. O casal Antônio Martins e Joaquina Celestino tinha oito filhos: Antônio Martins Filho, Manoel Martins Rodrigues, Jerônimo Martins, Olegário Martins, Adelaide, Sinhá, Hipólita e Teresa, a felizarda que se casou com o bravo e empreendedor espanhol, Valentim Álvares, o fundador de Palestina.Três anos de casados, Valentim e Teresa sonham e manifestam este sonho de lançar as bases de uma cidade. Enquanto constituía sua família, aumentava neles este desejo de formar um lugar produtivo, aumentar sua propriedade e produzir.
Da união entre Valentim e Teresa nasceram sete filhos, sendo que dois deles faleceram em criança, e os demais, cinco, são : Antônio Álvares Martins, Francisco Álvares Martins, Teotônio Álvares Martins, Valdemar Álvares Martins e Jupira Álvares Martins. O sobrenome Martins veio por afinidade com os avós maternos, família Antônio Martins Rodrigues.

   2 -FUNDAÇÃO  DE  PALESTINA
Valentim e Teresa
não estavam sozinhos enquanto acalentavam o sonho de fundar a nova cidade. Rodeados de amigos, proprietários de sítios na região, traçaram planos, esboçaram horizontes. Eram todos homens de valor, corajosos e cheios de esperança: Egídio Zácaro, Cipriano Luiz, José Gonçalves da Silva, João Antônio de Araújo, Abílio Rodrigues Fernandes, Manoel Gomes São Bento, César Henrique, Antônio Tobia Pimentel, Tomaz de Aquino, Antônio Martins Rodrigues e outros. Após várias reuniões na casa de Valentim, constataram a necessidade de se formar um povoado, pois a vila da Fazenda Jardim, iniciada por José Cury, Jorge Cury, Pedro Felício, José Santero e outros, em 1917, tinha terra fraca, estradas cortadas por muitos córregos, o que dificultava o transporte de cargas  para São José do Rio Preto. Por estas razões o povoado do Jardim não prosperou. Um povoado nestas bandas iria favorecer o escoamento da produção agrícola, encurtando a distância do trajeto feito pelos carros de bois que transportavam os produtos para São José do Rio Preto. Aqui não predominava o latifúndio, mas médias e pequenas propriedades, formando um grande número de pessoas interessadas no surgimento e desenvolvimento do povoado. No dia primeiro de janeiro de 1922, na casa de Egídio Zácaro, na Fazenda Piau, em reunião do grupo ficou deliberada a constituição de um patrimônio sob a denominação de " São João da Palestina". Valentim Álvares anunciou sua disposição de doar parte de suas terras para inicio do patrimônio: doou um alqueire de terra para o cemitério, (uma segunda versão afirma que Antônio Cotobia doou as terras para o cemitério),  uma quadra para a praça matriz onde seria construída a igreja de São João Batista, um gleba onde hoje esta a escola Valentim Álvares, outro terreno onde hoje está a Estação Rodoviária, destinada a construção da cadeia pública e um lote onde hoje está a Igreja Presbiteriana Independente. Para estimular a vinda de mais famílias, acabou cedendo vários lotes ao redor da praça. O ato de fundação foi comemorado com uma grande reunião na praça, foguetes e suspensão do cruzeiro. Logo mais se construiu a Igrejinha. Era uma tarefa de todos: a futura praça da matriz teria que ser limpa, porém os troncos de angico com 1,50m de diâmetro deveriam ficar como prova de que ali houvera uma mata fechada que deu lugar a praça que iria prosperar com a graça de Deus. Vieram então para este lugar famílias de sírios, libaneses e armênios, antigos moradores de São José do Rio Preto, investir no comercio da pequena Palestina. Chegaram depois italianos, espanhóis e árabes. Além dos Álvares, os Martins Rodrigues, os São Bento, os Garcia, os Gabriel, os Chala, os Tobia Pimentel, muitas outras famílias vieram se instalar em Palestina. O comércio aumentava e a praça se enchia de gente para comemorar o padroeiro.
A origem de Palestina foi quase toda consignada em atas das reuniões, que na época foram feitas por moradores da região, sempre sob a presidência de Valentim Álvares, considerado o fundador da cidade. O patrimônio constituído ficara situado entre as cabeceiras das fazendas Canoas, Jardim e Piau. Tornou-se distrito de paz pela lei nº 2236, de 22 de dezembro de 1927 pertencente ao municio de Nova Granada. Pela lei nº 2782, de 23 de dezembro de 1936 foi elevado a município da comarca de São José do Rio Preto. A instalação do município deu-se no dia 30 de maio de 1937. Por Decreto
Nº 10 001, de 24 de fevereiro de 1939 o município foi dividido em três zonas: 1ª- Palestina, 2ª-Santa Filomena, 3ª- Guarda-Mor. Por decreto nº 14 334, de 30 de novembro de 1944, as zonas foram transformadas em distritos e Santa Filomena passou a chamar-se Boturuna, Guarda-Mor passou a ser Jurupeba. Pela lei nº 232, de 24 de dezembro de 1948 foi incorporado o distrito de Duplo-Céu.

 

3- CURIOSIDADES DA VIDA DO FUNDADOR

Valentim Álvares era pessoa bondosa, de coração generoso e solidário, com espírito de doação e partilha. Em questões de consciência política, mostrava-se um homem politizado , adepto a movimentos igualitários e democráticos. A história valoriza e resgata o homem comum, como elemento participante e histórico. Valentim Álvares era o homem comum, de participação política, entre seus amigos e conterrâneos palestinenses, ativo, porém comedido, chegando a ter participação nacional. Foi um desses elementos do chamado "povo", que participou da história, mas não consta na história oficializada. Enquanto nas grandes capitais brasileiras as idéias comunistas eram propagadas com grande êxito, com severas críticas à ditadura de Getúlio Vargas , aqui no interior pouco se sabia destas idéias. Por volta de 1 935 surgiram movimentos de extrema esquerda, ou seja, rebeliões militares em batalhões em vários estados, que foram prontamente dominadas pelas forças governamentais. A reação armada dos revoltosos ofereceu ao governo o pretexto para agir energicamente contra os líderes da esquerda. Luis Carlos Prestes foi preso e juntamente com ele foram presos, em nome do "perigo comunista", diversos sindicalistas, operários, militares, intelectuais, estrangeiros radicados no Brasil, supostamente envolvidos em atividades contra o governo. As forças getulistas fizeram caçada a todos suspeitos de serem simpáticos à causa revolucionária. Também neste interior de São Paulo, aqui no pequeno povoado de Palestina, se reuniam secretamente vários elementos de diversos seguimentos e profissões: Valentim Álvares,espanhol, João Lopes, espanhol, Antônio Garcia, espanhol, João Silvestre, baiano alfaiate, Humberto Carvalheiro, português, e muitos outros. Humberto recebia jornais da capital e as notícias eram discutidas nas reuniões. O que se pode perceber é que os estrangeiros conheciam da Europa as idéias socialistas , por isso aqui facilmente aderiam a elas. Numa dessas reuniões de organização do grupo, foi lavrada uma ata, com assinatura de vários participantes . Curioso é que Valentim Álvares não assinou, o que valeu para inocentá-lo da participação. Porém, nesta caçada aos suspeitos de simpatizantes do comunismo, várias pessoas foram presas, entre eles o espanhol João Lopes que foi extraditado para a Espanha, voltando depois para Palestina. Valentim Álvares, que nesta ocasião já estava viúvo, com filhos pequenos, avisado por Antônio Pimentel,  preferiu fugir, ficando refugiado por três meses, pelos lados de Duplo Céu, na fazenda de Sérgio Franco, primo de sua esposa, para assim poder acompanhar seus filhos. Numa das vezes que veio ver a família, foi surpreendido por policiais e preso. O Delegado era Antônio Andrete. Valentim não resistiu a prisão, mas proferiu aos policiais a seguinte frase: "A polícia não tem justiça em sua própria casa, como pode aplicá-la em minha casa?". Cedeu a prisão, mas não aceitou ficar detido na pequena cadeia construída por ele, ali no terreno onde hoje está a estação rodoviária, dizendo: "não ficarei preso na cadeia que eu mesmo construí". Respeitando sua vontade, os policiais o levaram para a comarca de São José do Rio Preto. Seus amigos e parentes providenciaram de imediato um abaixo assinado, liderado pelo dentista prático, Antônio Pimentel, que percorrendo sítios e fazendas colheu num só dia trezentas e oitenta e quatro assinaturas, pedindo a liberdade de Valentim Álvares. Acusado de ser um revolucionário comunista, após interrogatório do Juiz de direito, não havendo provas documentais, nem mesmo assinatura na ata da reunião, deixou o juiz indeciso. A apresentação do abaixo assinado dos amigos,deixou tudo claro e ele foi libertado. Quando o juiz lhe perguntou se tinha muitos amigos, ele respondeu: "só sei que não tenho inimigos". Nada mais o prendia ao interrogatório, ele saiu em liberdade deixando sus ficha limpa na justiça. Este relato de seu filho Francisco Valentim Álvares, deixa-nos a conclusão de que Valentim Álvares teve idéias avançadas, era homem politizado o suficiente para participar de movimentos onde se pretendia reduzir as diferenças sociais. Ele que não tinha muitos bens, sabia repartir, acolher os novos moradores que aqui procuravam construir vida decente com seu trabalho.
  

4 - ORIGEM E EVOLUÇÃO

Ergueram-se casas e a povoação teve desenvolvimento rápido, passando a categoria de distrito pertencente a Nova Granada. Em 1 930 foi elevada a categoria de Vila. Pelo Decreto nº 2 782, de 23 de dezembro de 1 936 , tornou-se Município autônomo , desmembrando-se de Nova Granada, tendo trabalhado para isso o saudoso Capitão José Gomes Faria, que foi o primeiro Prefeito do Município, tendo por justo reconhecimento levado seu nome uma das ruas de Palestina. A instalação deu-se a 30 de maio de 1 937. Já naquela época foram construídas inúmeras casas comerciais por iniciativas de moradores espanhóis, sírios, italianos, libaneses e armênios, que aqui se instalaram. O comércio desenvolveu a olhos vistos. O transporte era feito através de carros de bois, que levavam a safra agrícola e muares de pequeno porte para serem vendidos em São José do Rio Preto. Nesta terra fértil se produzia arroz, feijão, milho, cana, café e depois o algodão. Os sítios e fazendas eram movimentadas e quase todas possuíam engenho de cana para produção do açúcar, rapadura e aguardente. O monjolo era a força hidráulica que era utilizado para beneficiar o arroz, o milho para canjica, ou para a farinha. O tear era o meio de industrializar o algodão para confeccionar o cobertor, e tecidos branco a para lençóis, camisas, calças, vestidos, e outros vestuários. A roca era a roda de fiar o algodão, sendo a carda o serviço feito especialmente pelas mulheres. A maioria dos utilitários era produzida artesanalmente em casa, comprando-se no comércio externo o sal, a querosene para as lamparinas e os tecidos estampados, xadrez, as mesclas e brins para roupas especiais da família. Os veículos foram surgindo: caminhões, automóveis, sobretudo com as boas safras de algodão. Palestina se enchia de gente, famílias das mais dignas e honradas, que aqui se instalavam e prosperavam, como as famílias Álvares, Tobias, São Bento, André, Pimentel, Franco, Bueno, Garcia, Soares, Tosta, Martins, Barco, Sarian. Lopes, Cury, Chala, Sonego, Fernandes, Sisto e muitas outras. Valentim cumpriu sua missão . Morreu em 1 942, feliz por ter participado da luta de um povo, consciente de que deixou Palestina com um povo lutador por um Município com melhores dias. 

PESQUISADO POR: ALBERTINA SOARES PIMENTEL(VEREADORA DA LEGISLATURA 2005-2008)